segunda-feira, 18 de maio de 2009

Gerações em Diálogo

Durante a infância, o meu avô era o meu melhor amigo. Quando estávamos juntos, tudo me parecia perfeito.

Gostávamos ambos de passear pelos bosques. Nunca íamos muito longe, nem andávamos muito depressa. Escolhíamos caminhos sinuosos. Enquanto caminhávamos, fazia‑lhe imensas perguntas.

― Avô, por que…?

― O que se passaria se…?

― Será que às vezes…?

Um dia, perguntei-lhe:

― Avô, o que é uma oração?

O meu avô ficou em silêncio durante muito tempo. Quando chegámos junto das árvores mais altas da floresta, respondeu-me com uma pergunta:

― Alguma vez ouviste o murmúrio das árvores?

Pus-me à escuta, atento, mas em vão.

― Vê como as árvores sobem até ao céu. Tentam subir sempre mais. Querem chegar às nuvens, ao sol, à lua e às estrelas. Procuram elevar-se até ao céu.

Pensei nas árvores, procurei ouvi-las. Enquanto reflectia, sentei-me numa rocha velha, coberta de musgo. O meu avô explicou:

― As rochas e as montanhas também falam connosco. A sua calma e o seu silêncio inspiram-nos tranquilidade.

Depois de ter reflectido durante bastante tempo, peguei numa pedra e coloquei-a no meu bolso.

Caminhámos um pouco mais, até junto de um ribeiro. A água borbulhava, cintilava, e viam-se pequenos peixes a nadar.

― Avô, os ribeiros também murmuram?

― Claro. Bem como todos os lagos, rios e cursos de água. Às vezes, correm tranquilamente. Espelham as nuvens, os pássaros, o sol ou as estrelas. Outras vezes, escoam-se em redemoinhos, lançam-se no mar ou evaporam-se no céu. E o ciclo recomeça… Também se riem e divertem com os seus amigos rochedos. Dançam, saltam, tornam a cair…

― Mas a natureza conhece outras formas de se exprimir. As ervas altas procuram o sol e as flores exalam o seu perfume doce. Quanto ao vento, sussurra, geme, suspira, e sopra-nos as suas palavras.

― Escuta o canto dos pássaros de manhã cedo, escuta o seu silêncio antes do nascer do sol. Consegues ouvir a melodia do pintarroxo ao cair da tarde? Os animais correm pela floresta, tornam-se reluzentes com a água, escalam montanhas, voam até às nuvens, ou refugiam-se na terra. É assim que todos os seres vivos participam na beleza do mundo…

Calámo-nos os dois. O meu avô olhava o horizonte e eu reflectia no que ele me tinha dito sobre as rochas, as árvores, a erva, os pássaros e as flores. Acabei por lhe perguntar de que modo rezavam os homens.

O meu avô sorriu e passou a mão pelos meus cabelos. Respondeu:

― Tal como a natureza, os homens têm a sua linguagem própria. Podem inclinar-se para cheirar uma flor, ver o sol despontar no horizonte, sentir a terra mover-se docemente, ou saudar o dia que começa. Podemos passear num bosque coberto de neve num dia de Inverno e ver o nosso próprio sopro confundir-se com o sopro do mundo. A música e a pintura são também formas de nos exprimirmos, de falarmos…

― Às vezes, sentimo-nos tristes, doentes ou isolados. Então, repetimos as palavras que os nossos pais e avós nos legaram. Mas é preciso que cada um encontre as suas próprias palavras. O que é importante é dizer o que verdadeiramente se sente, o que nos vem do coração.

Passado algum tempo, o meu avô disse-me que eram horas de regressar. Mas eu tinha uma última pergunta:

― Há respostas para as nossas orações?

Sorriu.

― Se as escutarmos atentamente, as orações contêm as suas próprias respostas. Nós somos como as árvores, o vento e a água. Não podemos mudar o que nos rodeia, mas podemos mudar-nos a nós mesmos. É evoluindo que transformamos o mundo.

Depois deste passeio, ainda voltámos a passear juntos. De cada vez, tentei escutar as vozes da terra, mas creio que nunca as ouvi.

Um dia, o meu avô deixou-nos. Continuei a pensar nele com todas as minhas forças, mas ele não voltou. Não podia voltar. Rezei até mais não poder. Depois, deixei de o fazer. Sem ele, tudo me parecia sombrio, e sentia-me muito só.

Alguns anos mais tarde, durante um passeio, sentei-me debaixo de uma árvore enorme. Os ramos mexiam e as folhas sussurravam. Ouvi o murmúrio de um ribeiro e o canto de um pintarroxo, pendurado numa madressilva. Ouvi também um ligeiro sussurro, misturado com o sopro do vento, com o canto dos pássaros e com o marulho da água.

Tal como o meu avô me ensinara, a terra falava comigo. Então, também eu murmurei, docemente:

― Obrigado pelas árvores grandes e pelas flores, pelos rochedos e pelos pássaros. E, sobretudo… obrigado pelo meu avô!

Foi então que algo aconteceu. Senti – outra vez – o meu avô perto de mim…

E, pela primeira vez desde há muito tempo, tudo me parecia perfeito.


Douglas Wood
Escuta as vozes da terra
Paris, Gründ, 2000
Tradução e adaptação
De Verticalizar
http://dialogodegeracoes.wordpress.com

CALENDÁRIO REUNIÕES COLEGIADO - 2009



27 DE MAIO (COMISSAO ORGANIZADORA DA FESTA JULINA) PARTICIPE!





09 DE JUNHO
01 DE JULHO
18 DE AGOSTO
16 DE SETEMBRO
29 DE SETEMBRO
27 DE OUTUBRO
18 DE NOVEMBRO
01 DE DEZEMBRO
16 DE DEZEMBRO

· As reuniões do Colegiado Escolar são realizadas na sede da escola sob a presidência da diretora, permitido o livre acesso de interessados.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

1ª REUNIÃO DO COLEGIADO EM 2009

Os membros eleitos do Colegiado foram convocados para a 1ª REUNIÃO DO COLEGIADO EM 2009.

Data: 15 maio de 2009
Horário: 12 horas
Local: Biblioteca da Escola


PAUTA:
Prestação de contas
Assuntos Gerais

ATENÇÃO:
As reuniões são abertas a toda comunidade.
Caso não possa participar pessoalmente, deixe sua sugestão na secretaria da escola ou envie e-mail para: colegiadobueno@gmail.com

Garanta a participação efetiva da comunidade escolar na gestão da escola.

http://www.colegiadobuenobrandao.blogspot.com
e-mail: colegiadobueno@gmail.com

Espaço para pais, mães, alunos, membros do colegiado e funcionários da Escola.

SUA PARTICIPAÇÃO É MUITO IMPORTANTE!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Programa de Tv ExtraClasse Sindicato dos Professores MG

O programa Extra-Classe desta semana faz uma reflexão sobre a a questão da reforma urbana e as condições de ocupação das cidades. O programa vai mostrar um pouco do cotidiano das pessoas que lutam pelo direito à moradia em Belo Horizonte. O entrevistado será o arquiteto e urbanista José Abílio Belo Pereira. Além disso, você confere a opinião da diretoria do Sindicato dos Professores sobre temas da atualidade, o Sinpro em Movimento e a programação do Cineclube Joaquim Pedro de Andrade.

Programa Extra-Classe, todo domingo, às 8h55, pela TV Bandeirantes.

apresentação: Denilson Cajazeiro
Roteiro,Direção e Edição de Texto: Taís Ferreira
Produção: Rogéria Rocha
Reportagem: Cecília Alvim e Saulo Martins

sábado, 18 de abril de 2009

Saúde do professor será tema do ExtraClasse

Neste domingo (19/3), às 8h55, o programa Extra-Classe faz uma reflexão sobre a saúde do professor e os fatores que levam ao desgaste físico e mental no ambiente de trabalho. O programa apresenta detalhes de uma pesquisa inédita sobre a saúde e as condições de trabalho dos professores e dos auxiliares de administração escolar, feita pelo Sinpro Minas, o SAAE-MG e a FITEE, em parceria com o Ministério do Trabalho, através da Fundacento. Para falar sobre o estudo foi convidada a diretora do Sinpro Minas Maria das Graças de Oliveira.

O programa traz ainda, no quadro Ponto de Vista, a opinião da diretoria do Sinpro Minas sobre temas da atualidade, a agenda da semana e a programação do Cine Clube: Especial Jornalismo com o filme Cidadão Kane de Orson Welles.

Confira!

Todo domingo 8H 55 da manhã na TV Bandeirantes
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quinta-feira, 5 de março de 2009

EDUCAÇÃO QUE TEMOS, EDUCAÇÃO QUE QUEREMOS


Movimento Educação que temos, educação que queremos será lançado no dia 11/3

Na próxima quarta-feira (11/3), será lançado, às 16h, na Casa do Jornalista, o movimento Educação que temos - Educação que queremos, visando a participação efetiva de toda a comunidade educacional nas discussões sobre o Plano Decenal de Educação de Minas Gerais.

Lançamento do movimento
EDUCAÇÃO QUE TEMOS, EDUCAÇÃO QUE QUEREMOS
Local: Casa do Jornalista (Rua Álvares Cabral - 400 - Centro/BH)
Data: 11/3/09 - quarta-feira Horário: 16 horas

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"Planejar é antecipar ações para atingir certos objetivos"

Foto: Rodrigo Erib

FALA, MESTRE! - CELSO VASCONCELLOS
Especialista critica a burocracia e diz que o coordenador pedagógico deve se aliar a outros colegas para não se sentir sozinho
Paula Monteiro
Celso dos Santos Vasconcellos já foi professor, coordenador pedagógico e gestor escolar. Ao longo de sua extensa carreira de educador, participou de inúmeros processos de planejamento nas escolas e gosta de dizer que aprendeu muitas lições. "Às vezes, há uma tentação enorme de ficar gastando tempo com problemas menores, quase sempre da esfera administrativa ou burocrática. Justamente por isso é tão importante planejar o planejamento", afirma. Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo, mestre em História e Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e autor de diversos livros sobre esse assunto, o especialista fala na entrevista a seguir a respeito dos meandros do processo de elaboração das diretrizes do trabalho da escola.




CELSO VASCONCELLOS

Por onde se deve começar um bom planejamento?
CELSO VASCONCELLOS Depende muito da dinâmica dos grupos. Existem três dimensões básicas que precisam ser consideradas no planejamento: a realidade, a finalidade e o plano de ação. O plano de ação pode ser fruto da tensão entre a realidade e a finalidade ou o desejo da equipe. Não importa muito se você explicitou primeiro a realidade ou o desejo. Então, por exemplo, não há problema algum em começar um planejamento sonhando, desde que depois você tenha o momento da realidade, colocando os pés no chão. Em alguns casos, se você começa o ano fazendo uma avaliação do ano anterior, o grupo pode ficar desanimado - afinal, a realidade, infelizmente, de maneira geral, é muito complicada, cheia de contradições. Às vezes, começar resgatando os sonhos, as utopias, dependendo do grupo, pode ser mais proveitoso. O importante é que não se percam essas três dimensões e, portanto, em algum momento, a avaliação, que é o instrumento que aponta de fato qual é a realidade do trabalho, vai aparecer, começando o planejamento por ela ou não.

É possível realizar um processo de ensino e aprendizagem sem planejar?
VASCONCELLOS É impossível porque o planejamento é uma coisa inerente ao ser humano. Então, sempre temos algum plano, mesmo que não esteja sistematizado por escrito. Agora, quando falamos em processo de ensino e aprendizagem, estamos falando de algo muito sério, que precisa ser planejado, com qualidade e intencionalidade. Planejar é antecipar ações para atingir certos objetivos, que vêm de necessidades criadas por uma determinada realidade, e, sobretudo, agir de acordo com essas ideias antecipadas.

Em alguns contextos, o planejamento ainda é encarado como um instrumento de controle?
VASCONCELLOS Sim, em algumas escolas e redes, ele ainda é um instrumento burocrático e autoritário. Em um sistema autoritário, o planejamento é uma arma que se volta contra o professor porque o que ele disser - ou alguém disser por ele - que vai ser feito tem que ser cumprido. Caso contrário, ele foi incompetente. E, nem sempre, conseguimos fazer o que planejamos. Por diversas razões, inclusive por falha nossa, mas não unicamente por isso. No entanto, o movimento da sociedade e o processo de redemocratização têm favorecido o conceito de planejamento como real instrumento de trabalho e não como uma ferramenta de controle dos professores.

Qual a relação entre o planejamento e o projeto político pedagógico?
VASCONCELLOS Nesse processo de planejar as ações de ensino e aprendizagem, existem diversos produtos, como o projeto político pedagógico, o projeto curricular, o projeto de ensino e aprendizagem ou o projeto didático, que podem ou não estar materializados em forma de documentos. O ideal é que estejam. Quando falamos do planejamento anual das escolas, temos como referência o projeto político pedagógico.

"Não há problema em começar sonhando, desde que depois você tenha o momento da realidade."

É possível fazer um planejamento sem conhecer o projeto político pedagógico da escola?
VASCONCELLOS Um projeto, a escola sempre tem, mesmo que ele não esteja materializado em um documento. Agora, o ideal é que esse projeto seja público e explicitado. Na hora do planejamento anual, ele deve ser usado como algo vivo, como um termômetro para toda a comunidade escolar saber se o trabalho que está sendo planejado está se aproximando daqueles ideais políticos e pedagógicos ou não.

Como evitar que o tempo dedicado ao planejamento anual não seja desperdiçado?
VASCONCELLOS Nas escolas, o coordenador pedagógico é o responsável por esse processo. É preciso prever momentos específicos para cada tipo de assunto e ser firme na coordenação. Às vezes, há uma tentação muito grande em ficar gastando tempo do planejamento com problemas menores, administrativos ou burocráticos. Então, é muito importante planejar o planejamento, reservando momentos específicos para cada assunto, e ser rigoroso no cumprimento dessa organização. Ele precisa ser um coordenador pedagógico forte, mas onde buscar apoio para se fortalecer? Em alguns casos, há o apoio da direção, mas é muito importante que ele faça parte de um grupo com outros profissionais no mesmo cargo para trocar experiências e sentir que não está sozinho nesse trabalho.

Com que frequência as ações do planejamento anual devem ser revistas pela equipe?
VASCONCELLOS Eu insisto muito na reunião pedagógica semanal. Na minha opinião, esse encontro não deve ser por área, e sim com todos os professores daquele ciclo, daquele período. Se todos os professores, por exemplo, do ciclo II do Ensino Fundamental do período da manhã estão presentes no mesmo momento, em um dia fixo da semana, no período da tarde, durante cerca de duas horas, o coordenador pedagógico pode montar reuniões por área, ou por nível ou gerais, conforme as necessidades. Esse momento de encontro é imprescindível para planejar um trabalho de qualidade com coerência entre os professores. Além de ser um momento de socialização. Existem professores que descobrem coisas excelentes que vão morrer com ele porque não foram sistematizadas nem ele compartilhou aquelas descobertas. E, na hora do planejamento, há a possibilidade de reservar um momento para isso.

Existe algum momento que deve ser planejado com mais cuidado?
VASCONCELLOS Sim, as primeiras aulas. Principalmente das séries iniciais. Existem estudos que mostram que a boa relação professor/aluno pode ser decidida nessas aulas. Há pesquisas que vão além e apontam os primeiros instantes da primeira aula como determinantes do sucesso da atividade docente. Então, se o professor tem de preparar bem todas as aulas, as primeiras precisam de mais cuidado. E não é só determinar os conteúdos a ser abordados, os objetivos a atingir e a metodologia mais adequada. É, sobretudo, se preparar, tornar-se disponível para aqueles alunos, acreditando na possibilidade do ensino e da aprendizagem, estando inteiramente presente naquela sala de aula, naquele momento.


Entrevista publicada em:
http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/Esp_024/aberto/planejar-antecipar-acoes-atingir-certos-objetivos-412713.shtml